terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cozinhar para alguém

Há dois anos e meio não cozinhava para alguém. Fiz isso ontem. Havia me esquecido como é bom fazer algo para alguém, mais ainda, preparar, com todo esmero, alguma coisa para alguém. Havia me esquecido deste gostinho. E que gostinho!!!

Cozinhei para amigos q amo ... esta pitada foi essencial para tudo sair melhor.

Agora quantas vezes neste ano que está dando tchau fiz alguma coisa deste tipo para alguém? Recebi alguns amigos em minha casa, mas não preparei a casa, como preparei desta vez. Me arrumei raríssimas vezes para alguém. Escrevi poucas coisas para alguém ler. Talvez tenha feito o q faço de melhor - falar .. .talvez tenha dito algumas coisas para algumas pessoas, coisas que essas pessoas gostariam de ouvir.

Aquela coisa de agrado sabe?! É em 2011 tentarei fazer mais uns agrados ... não é só bom para quem recebe, mas para quem faz tb. Senti isso ontem.

Sds!

domingo, 19 de dezembro de 2010

O choro

Esses dias caminhando na praça em frente de casa me deparei com uma menininha chorando, agarrada à sua bicicleta. Em pouco tempo de conversa descobri que estava perdida da amiguinha e isso a deixou em pânico.

Ela não queria saber da mãe, que aliás, estava perdida em algum canto da enorme praça ... queria a amiga, a amiga que prometeu andar ao seu lado de bicicleta. Como a amiga sumiu, ela ficou ali, parada, chorando, esperando seu retorno. Como uma palavra dada tem peso, principalmente, para uma criança. Nada fez aquela criança parar de chorar.

Me impressionou o valor que aquela menininha dava para sua amiga, para o compromisso que travaram e também para o desdém das pessoas que caminhavam pela praça. Sem a menor cerimônia, desviando da garotinha e seguiam seu roteiro já traçado.

Qtas vezes sofremos desvios de percurso nesta vida? Pq não parar simplesmente para perguntar 'o que aconteceu?' Tem horas que o ser humano me surpreende para mais ou para menos. Neste caso, dos caminhantes, para menos.

Já a menininha, para mais. Quando enxergamos sua amiga à solta pela praça, foi tocante ver o reencontro das duas ... o choro cessou .. e as bicicletas lado a lado rodaram pelos contornos da praça.

E meu percurso?! Perdi meia hora de caminhada, mas ganhei um abraço que fez todo o exercício que estava precisando.

Sds!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma queda

Ontem uma senhora caiu diante de mim. Passou mal e não conseguiu se segurar. Me lembrou minha avó. A dignidade daquele senhora foi espantosa. Não queria que chamassemos um filho, nem ambulância, nem que a levassemos para a casa ... queria ficar somente ali, sentada, esperando a pressão arterial voltar ao normal, respirando tão vagarosamente quanto seus passos. Arrogância dela?! Não orgulho.

Minha avó era assim também. Tinha noção de suas limitações, mas não admitia ser vista como peso ou inútil e menos ainda que a olhassem com pena. Envelheceu com a cabeça branca e erguida. Aquela senhora, chamada pelos vizinhos de dona Zu, segue o mesmo caminho da dona Luzia, minha avó.

Penso em minha velhice. De fato não deve ser nada fácil saber que não se consegue mais andar com a mesma velocidade e em contrapartida a vontade de andar mais ligeiro corre freneticamente no coração; menos ainda depender de pessoas que sempre dependeram de vc. Não, não é fácil.

Por isso, elas gostam de sentar, respirar fundo e esperar o corpo voltar ao normal ... sinal de que ainda estão vivas, pq lá dentro, elas estão .. o corpo que hora ou outra vacila, nada mais.

Sds!

Os presentes

Uma toalha artesanal para o fogão, um celular, uma bermuda e um DVD do Lulu Santos, esses foram meus presentes de aniversário.

Quatro presentes, quatro amigas. Uma delas a minha mãe, que se esforçou para encontrar em Minas uma toalha toda bonitinha para enfeitar o fogão do meu cantinho novo. O DVD foi de uma amiga que quis me fazer recordar sempre do dia em que nos embriagamos ao som de Lulu. A bermuda foi de outra amiga que notou minha precisão em usar uma bermuda no trabalho devido ao calor intenso daqui. Por fim, um celular, da minha menininha da AACC. Celular de dois chips, segundo ela, para poder falar melhor com as nossas crianças.

Os presentes que ganhei é o de menos. Me são valiosos sim, mas as pessoas que me deram têm muito mais valor. Sei que todas se esforçaram para me dar o que me era mais útil naquele momento. Porém, confesso, que o celular da minha versão 1.8 me emocionou. Não foi o aparelho telefônico, mas a justificativa e, principalmente, o empenho em me dar algo meio caro vindo de alguém com uma vida tão humilde. Quando recebi a voz embargou ... "por tudo o que vc faz por mim", ela disse. Faço nada, nunca fiz nada além do que julgo ser correto ... esta menina não há um dia sequer que não me ensina algo ... e que não me faz perder as palavras.

Sds!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Existe amizade entre homem e mulher?

Sim, creio que isso seja TOTALMENTE possível.

MAS, também creio que em algum momento da amizade (geralmente no início), um dos dois olhou com rabo de olho para o outro, achou que poderia ser possível, porém, passada esta fase a amizade viu que era amigo mesmo e a relação só se fortaleceu.

Não troco um grande amigo por uma tentativa de namoro. O namoro vai e o amigo fica. Pq estou pensando nisso? Hj me lembrei dos meus amigos. Tem um, em especial, que é tão amigo que até sobrenome igual ao meu tem. Lamento não vê-lo tanto qto eu gostaria, mas será sempre meu nego véio e em dezembro o espero para jantar em minha casa e vermos, finalmente, as fotos de nossa viagem. Finalmente tb poderemos repetir esta foto ... com algumas rugas a mais.


Trocar este amigo por uma versão dele como namorado?! JAMAIS. E sei q ele tb não. É possível sim uma amizade homem x mulher ... principalmente qdo os dois avaliam o qto é importante a amizade do outro em sua vida.

Sds!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Leitores

Notei, recentemente, que meus maiores leitores são homens.

Obrigada meninos!!!

Espero ajudá-los a sair da Terra do Nunca, os que precisam e deixar mais homens ainda os que já são.

sds!

O gordinho

O casamento do meu irmão foi emocionante demais. O padre caprichou na homilia, os noivos no choro e meu sobrinho na bagunça. Porém o que me marcou mesmo não aconteceu na igreja, mas na casa do meu irmão.

Há muito tempo nossa família não conseguia se reunir. Foi a primeira vez que estavam os filhos, as noras e os netos. Perfeito! Uma foto registrou este momento. Mas não registrou o que vi.

À noite, cada filho em seu quarto. Meu pai pegou uma colcha e se acomodou na poltrona do papai. Meu irmão precisava viajar de madrugada e não podia perder a hora, o pai então se colocou de cão de guarda não deste meu irmão, mas dos três filhos, dois netos, duas noras e esposa.

Aí meu gordinho me responde à uma pergunta desta forma:

"Papai está aqui minha filha. Pode dormir em paz".

Ao ouvir isso chorei e peguei no sono. No outro dia contei a cena para a minha mãe e nos emocionamos novamente.

Há 32 anos meu pai fala isso. A história do meu pai não é das mais alegres, mas aí que está a admiração por este baixinho. A vida não foi fácil?! Ok! Mas ele buscou deixá-la melhor. Correu atrás e busca ser o pai que não teve e faz isso com maestria.

Mas o gordinho não conseguiu isso sozinho. A dona minha mãe o deixou ser pai. Ela saiu zilhões de vezes da frente para que ele pudesse ser pai e outras zilhões de vezes tomou as dores dele para não doer nele.

Durmo em paz pq tenho um pai e uma mãe que assumiram seu papel desde o início e dão a vida por isso.

Um dia quero ser assim... um dia ... sentar no sofá e velar pelo sono de alguém (ou 'alguens').

Sds!

3.2!!!

Completei 32 anos.

E em casa, sozinha, no apartamento em absoluta paz. Recebi ligações, SMS, mensagens e tdo mais, mas estava no  meu canto, em paz.

Nunca passei por situação semelhante e foi por escolha minha. Total e soberana! Escolha que amei! Sabe aquela coisa de andar pra lá e pra cá do jeito que quiser, ligar e desligar a TV, ouvir música, descalça e descabelada? Assim passei o dia 15.

No último ano várias coisas enriqueceram meus 32 anos:

Ajeitei um canto só para mim. Meu refúgio e capela. Um lugar onde as pessoas ao entrar passam pela porta com a palavra Deus e saem com Alegria e Amor. Acho que muitos ainda não notaram isso. Mas é o meu desejo a cada um que passa por ali. Hum!  E não é cada um. Em casa só recebo amigos.

Aumentei o número de amigos. Amigos mesmo. Para sentar, chorar e rir.

Desacelerei no trabalho (na medida do possível). Voltei ao pilates com disciplina, à pós-graduação, ao inglês e pratico meditação quase que diariamente.

Namorei e desnamorei. Ganhei um amigo (espero!)

Minha mãe mais que nunca é minha mãe. Desisto que ela seja minha amiga, mas também não importa mais isso para mim, tenho amigas, só tenho uma mãe e a minha é a mãe e a cada dia está melhor a bichinha.

A cidade onde moro é o lugar onde quero envelhecer ... me sinto, mesmo, em casa.

Superei algumas mágoas e isso me aliviou a alma.

Perdi muitos pequenos na AACC. Saudade! Saudade! Saudade! Ganhei anjos lá no céu de olho em mim.

Conheci tantos homenzinhos mais ou menos. Agora os 'vem cá minha nega' que conheci compensaram estes homenzinhos (e como!).

Estou pensando daqui um ano. Nos 3.3... vamos lá!

Sds!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Casais e casamentos

Ainda em vôo minha mente não consegue parar de filosofar. Observo daqui, dali, analiso, penso e lá sai mais um post.

Nos vôos de hoje me deparei com casais interessantes. Um exibindo a esposa como um troféu, eqto ela olhava de espreita o homem ao lado; outro, olhando para o lado e apanhando da esposa; outro se despedindo apaixonadamente em frente à sala de embarque; outro rindo descontraidamente por alguma besteira dita .. e assim vai.

Também no vôo me deparei com uma frase de Saramago sobre a sua companheira Pilar. Na verdade, uma dedicatória feita à esposa em algum livro: "À Pilar, que ainda não havia nascido e demorou para chegar". Uma declaração mil vezes melhor que qualquer 'eu te amo'.  E claro, qdo vejo casais assim me lembro dos meus pais. Eles podem errar muito e acertar tb, mas qdo o assunto é relacionamento aqueles dois são craques. Um ao seu modo ama e se dedica ao outro de uma forma que pouco encontro no meu cotidiano.

E tudo isso me faz pensar no motivo desta viagem: o casamento do meu irmão caçula. Minha mãe sempre me disse q as pessoas se casam por vários motivos e o amor, infelizmente, é um deles e em muitos casos, mais infelizmente ainda, não é o maior e nem está em primeiro lugar.

Oxalá não seja o caso do meu irmão. Oxalá um dia ele e sua mulher possam escrever frases semelhantes a de Saramago. Oxalá ele viva mais de 30 anos com ela e ainda a chame de "bem", como nossos pais fazem há 33 anos.

Sds!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Preconceito

Preconceito. Nominho feio. Mais feio ainda quando presenciamos. E pior ainda quando ele é camuflado. O Brasil é o país deste tipo de preconceito, infelizmente.

Recentemente uma amiga estava às voltas com a mãe do seu namorado. Ela divorciada com filho e ele solteiro. A mãe do Peter Pan, obviamente, não queria o envolvimento do seu Peter com uma mulher 'experiente'. Diferença mínima de idade, mas o problema está no filho, no casamento desfeito. Ela já julgou, condenou e jogou a chave fora em relação a esta amiga, antes msm de conhecê-la melhor.

Quando apontamos o dedo para uma pessoa, esquecemos que há 3 dedos apontados pra gente. 3!!!

Inda mais quando não se sabe os reais motivos que levou determinada pessoa a tomar tal decisão. Separou? Ok, mas pq? como? Como simplesmente julgar sem defesa? Entendo as razões da mãe do pequeno Peter, são até compreensíveis, mas aceitáveis, somente depois de conhecer o réu, correto?!

Há cerca de  um ano uma colega de trabalho me disse que pessoas divorciadas têm problema. Sei que se referia a mim ... respirei fundo para manter a educação que recebi em casa. O mais engraçado é que esta pessoa é divorciada e viúva. Só se lembra de ser víuva, claro.

Um dedo pra lá, três para mim. Não dá para esquecer disso!

Sds!



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tendo a lua!

Hoje é o dia da faxina!

http://www.youtube.com/watch?v=EEEb9PnOvhY&NR=1

Tendo a lua - Paralamas do Sucesso
(Composição: Herbert Vianna e Tet Tillett)

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim
O céu de ícaro tem mais poesia que o de galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Clube da Luluzinha II

O txt anterior foi o prefácio desse.

Após este delicioso encontro com amigas. Parti para outro, com mais outras amigas. Resultado: eram quase três horas da manhã quando consegui abrir a porta de casa, antes, claro, tive que solicitar ao guardinha para abrir a porta do bloco. A vergonha de entrar neste horário em plena terça-feira valeu pela qualidade do papo e dos risos daquela noite.

A espécia masculina foi o centro do bate papo nas duas rodas de conversa. Impressionante! Mas os homens não saem de nossos diálogos, mesmo ausentes, são presentes. Certeza que agora algum engraçadinho que esteja me lendo vai dizer - "claro, vocês não vivem sem nós". Sim, é certo e mais, é recíproco (isso é melhor). A diferença está em como nós vivemos com vocês ...

Depois de tantas teorias, teses e dissertações esticada em minha cama box, com mais almofoda do que espaço para dormir, consegui definir três espécies masculinas. Adaptei termos adotados pelas amigas de plantão e assim conclui:

1a espécie - homenzinho mais ou menos: 100% Peter Pan na Terra do Nunca. O cara não quer deixar de voar, brigar com o Capitão Gancho e fazer traquinagem. Espécie encontrada vastamente mundo afora e de fácil proliferação, assim como, de fácil identificação, principalmente, após um bom tropeço com um. Mas não se engane, o fato de morar com os pais, ser jovem, jogar videogame não o qualifica como homenzinho mais ou menos. O negócio é mais embaixo.

Entretanto, resumidamente, homenzinho mais ou menos é aquele cara que vc olha, conversa e pensa que está com seus 15 anos em uma discoteca, tomando cuba libre, falando de A-ha. Lembra desta cena? Ou algo semelhante? Então, quando tropeçar com um rapaz que a leve a esta viagem no tempo. CUIDADO! É um homenzinho mais ou menos disposto a ter colocar na agenda dele.

Outro cuidado! Não vamos subestimar sua inteligência. Homenzinho mais ou menos, ADORA, bancar o 'vem cá minha nega'. Pior que a gente cai. Dias depois nos descobrimos Sininho voando pela Terra do Nunca. Olhos abertos! Todo aquele diz - "eu não sou assim... " .. é assim! (certeza!)

2a espécie - hominho. 50% Peter Pan. A porcentagem varia conforme a ocasião. É aquele tipo de homem que dá 3 passos adiante e 1 para trás. O homenzinho mais ou menos dá 1 para frente e 10 para trás. Sacou a diferença? Como o hominho só dá um passo atrás, ele está dentro da margem de erro. O cara precisa somente ser adestrado. Sim adestrado! Nada de capacitado, treinado .. é adestrado. Não vamos esquecer: somos animais (racionais), mas, acima de tudo, animais.

3a espécie - vem cá minha nega! É o cara pronto! Nada de calça de tergal, nada de palavras indefinidas, nada de não sei quem sou, para onde vou, com quem quero ficar. Nada, nada, nada disso! É homem!

Vem cá minha nega que vou te levar para jantar hoje. Vem cá minha nega que vou trocar o chuveiro para vc (ele identifica isso antes de vc). Vem cá minha nega que hoje o seu cheiro está me deixando louco. Vem cá minha nega que o dia foi cansativo e preciso do seu colo. Vem cá minha nega que hoje vc precisa do meu colo. Vem cá minha nega desculpa pelos meus pais, mas os seus também não são fáceis.

Agora, depois de tais definições, estou no vácuo. Não sei ao certo o que fazer com elas. Costumo dizer que sei o que não quero para mim, mas o que quero estou sempre em busca e o 'vem cá minha nega' é de deixar sem fala até uma mulher 'controladora' como eu.

Sds!

Clube da Luluzinha

Primeiro publico aqui um texto de uma amiga a respeito do que aconteceu ontem:

"Nada com um encontro com as amigas para falar todas as besteiras que as mulheres gostam de falar, tomar uma cerveja e relaxar! Tudo no melhor estilo Sex and the City. Esse companheirismo faz bem a alma, dá vida a vida, nos ajuda a entender tantos poréns do caminho. E dá pra ver também como somos complexas nessa essência, ao mesmo tempo tão doce e tão apimentada, por diversas vezes amarga e azeda. Mas é isso o que somos, um misto de sentimentos, de sensações, de desejos, de poesia, de palavrão … meninas, como a gente fala palavrão!

Três balzaquianas em um papo com cerveja, falando sobre filhos, casamentos desfeitos, casamentos em crise, traições (deles, claro), só podia mesmo sair isso, muito palavrão, tapa na mesa e batata frita pra acompanhar a revolta.

No mesmo instante em que se desabafa uma tristeza, se alimenta de uma gargalhada sem noção! “Ihhh acho que o moço do lado ouviu o que eu disse …” Tudo bem, aqui pode, pode tudo, é clube da Luluzinha no duro … não adianta criticar, não adianta nem querer chegar … Vou mandar fazer uma placa !!! “Estamos em terapia, não se aproxime” … e de repente, é uma pena, acabou … vamos marcar outras vezes, com certeza … Porque eu simplesmente AMOOOO TUDO ISSO !!!"

por Vivianne Nunes (http://vivinunes.wordpress.com)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mais um pouco das muletas

A vida não se cansa de me dar uma surra.

Acabo de chegar de uma sessão especial de cinema. O filme - Tropa de Elite 2. Especial - a companhia de duas mocinhas. Uma usando muletas e outra, cadeira de rodas.

Entre 18 e 19 anos elas passeavam pelo shopping com a alegria e os medos característicos de sua idade. Uma reclamando da falta de cabelos, a outra da muleta cor-de-rosa. Uma charmosa usando um vestido preto, recém-comprado, a outra, reclamando pq estava de blusa rosa também (assim como sua muleta). Uma querendo ouvir sertanejo e a outra, filosofando com MPB.

Diferentes e tão semelhantes.

Capazes de discutir, com delicadeza e respeito, religião. Cada uma apresentando o ponto de vista de sua crença a respeito da morte e admitindo que a fé, à maneira de cada uma, é conforto certo nos momentos de dor.

Capazes de opinar tão diferentemente sobre música, mas concluindo que tudo é música popular brasileira e que cada região tem sua forma de expressão musical.

Capazes de olhar para o mesmo rapaz e apreciar qualidades distintas e no fim concluir que 'ficariam na boa com ele', seja por motivo A ou B.

Capazes de demonstrar carinho em atitudes completamente diferentes, mas que no fim dizem - "obrigada".

Capazes de expressar suas histórias de vida, seus traumas e pensar que talvez sua doença tenha alguma relação com isso tudo.

O olhar não muda e a forma como riem também não. Já tive 18 anos.

Por vários e vários e vários instantes senti vergonha da pessoa e dos sentimentos que tenho. Isso pq sou rotulada de uma mulher evoluída etc e tal. Imagine se não fosse!!!

Compreensão, aceitação, respeito, espiritualidade, cordialidade, coragem ... vi tudo isso nesta noite.

Elas usavam muletas nos braços e nas pernas, mas não as carregavam nos corações.

São livres ... querem ser livres ... e lutam por isso.

Cheguei em casa e me enviam um SMS agradecendo pela noite, pelo filme, pelo passeio ... Elas não imaginam que eu, pela milésima vez, que devo agradecer. E pela milésima vez vou adormecer chorando por tudo que vivi ao lado delas.

Sds!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sou marrenta?

Dificilmente por aqui comento sobre os meus assuntos sentimentais. Afinal, o coração é um terreno em constante mutação e que requer todo cuidado ao ser pisado, correto?!

Fiz um post sobre o brinde e agora preciso escrever sobre uma pessoa que cruzou ligeiramente meu caminho e me fez refletir um tico.

O encontrei duas vezes .. na verdade estivemos no mesmo lugar por três ocasiões, mas nos esbarramos em duas.

A situação me chamou a atenção por dois detalhes:
1 - fui chamada de marrenta e
2 - elogiada por ser marrenta

Até esta altura da minha vida nunca havia sido chamada de marrenta .. já fui xingada, odiada (creio!), amava (tb creio) e esculhambada ... mas até então não recebia o rótulo de marrenta. Este dia chegou!

Por me fazer de difícil (ou ser msm difícil, sei lá. Na vdd o fato de ser simpática não significa: estou te dando moral! estou simplesmente sendo educada com TODOS), o hominho em questão abriu o verbo e disse que era marrenta, um 'soldadinho' em posição. Claro que isso me deixou irritada (e muito!). Marrenta é a sra sua mãe, ótima resposta, tratando-se de uma marrenta.

Acontece q depois disso pensei que ele jamais gostaria de se esbarrar comigo novamente. Acabou esbarrando e então me disse o óbvio - "homem adora mulher difícil". Mas este não foi o ponto .. o ponto foi - "mulher hoje em dia está muito fácil. Fácil mesmo. Vc é bonita e inteligente, pode e deve ser marrenta".

Ok! Ele queria me conquistar e todo aquele blablabla. Tenho noção disso, porém a espécie masculina em questão não era simplesmente uma espécie masculina a mais no mercado. Era uma SENHORA espécie. Bem apanhado (há tempos não esbarrava com alguém bonito msm, era simplesmente bonito e ponto), charmoso (qualidade fundamental), humor sarcástico (ou seja, inteligente) e observador .. enfim, uma senhora espécie, analisada e autorizada pelas amigas de plantão. Ele pode ser marrento .. e era! Mas daí elogiar e me permitir ser também é outra história .. ele assim fez.

Provavelmente não nos veremos mais ... entretanto o esbarrão valeu. Saí da nossa conversa matutando .. matutando .. matutando .. Definitivamente vou continuar com a marra. Como o mundo gira, quem sabe não nos esbarremos por aí?! Caso isso aconteça prometo ser menos marrenta, prometo sentar e conversar civilizadamente ...
Sds!

Muletas


A garotinha que comentei alguns posts abaixo. A amiga que fui desleal, pois é, ela começou a usar muletas. Consequência de uma inconsequência médica. Efeitos de uma quimioterapia mal acompanhada (parece que previa isso naquele post).

Isso a incomoda demais. Sei que irá incomodá-la por um bom tempo. Qual jovem aceita usar muletas? Ela menos ainda. Menos ainda se tiver que usar cadeira de rodas. Oxalá, isso não acontecerá.

A metáfora das muletas é riquíssima em detalhes. Algumas pessoas não têm outra opção a não ser usar uma muleta para se locomover. Sem a muleta, elas não seriam capazes de se deslocar. Precisam usar uma muleta ou um par de muletas o tempo todo por serem portadoras de alguma deficiência.

Muletas aceitáveis.

Mas na vida encontramos com tantas pessoas que abrem mão do uso de muletas espirituais e emocionais. Pessoas agarradas a muletas, como medos, raivas, solidão, ansiedade, tristeza, sentimentos de culpa e assim vai. Precisam desses sentimentos para manter-se em pé e os alimentam diariamente.

O que me impressiona é que na maioria das vezes esses sentimentos estão ligados a uma determinada pessoa, ou seja, transformamos o outro em nossa muleta. Necessitamos dele ao nosso lado mais do que do ar para nos manter em pé. E isso é correto? Não nascemos sozinhos por acaso ...

Minha garotinha usará muletas por 8 meses, caso seus ossos se regenerem ela voltará a andar sozinha; do contrário, passará por cirurgia para recomposição dos ossos. Sabe o que ela me diz desde então: "não quero depender de ninguém para viver".

Ela precisa de muleta, as usa, mas está disposta a lutar para viver sem elas.

E nós que não precisamos de muletas e as usamos por receio de encarar nosso rosto no espelho? Sem muletas cairemos sim (isso é certo), mas com o tempo ficaremos em pé ... joelhos roxos são curados com o tempo e um bom remédio e as cicatrizes nos fazem lembrar da batalha que foi cair e levantar. Já fizemos isso ao aprender a andar ... é uma questão de prática.

Mais uma vez, minha paraguaia me deu um golpe de mestre.

Sds!

Onde ir!

Acordei cantarolando esta música hj ... há algo de subliminar nisso?

http://www.youtube.com/watch?v=25cH3_P72d0

Onde Ir (Vanessa da Mata)


Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou

Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo

Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem

Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim

Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.

Sds!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Falta de palavra

Cresci com meu pai repetindo - "palavra dada é palavra empenhada", além do famoso - "trato é trato". Isso já me custou muito suor e lágrima, mas busco ao máximo cumprir e manter o q digo, prometo ou proponho, exceto em ocasiões extremas.

Vivi uma recentemente e tive q quebrar um trato feito com uma amiguinha. Além de quebrar tive q engolir a seco ela m dizer - "parceiro é parceiro, fdp é fdp, vc sempre me falou isso". Um tremendo tapa na cara.

A ocasião era extrema sim. Comentei aqui da perda de mais um garotinho da AACC e do outro que desceu o elevador perdido com a volta da doença. Pois bem, prometi a esta amiguinha que a manteria informada a respeito da evolução de cada amigo seu da AACC. Contrariando as recomendações mantive minha palavra até esta última perda.

Não escondi dela a morte do nosso amigo, deixei nas entrelinhas de um SMS, mas omiti o retorno da leucemia do outro garotinho. Quebrei o nosso trato.

Fiz isso pq ela não está bem psicologicamente. Tivemos perdas terríveis este ano e ela sentiu demais, com sérios riscos de ter sua leucemia acordada. Por conta deste risco não fui leal. Por medo de perdê-la, de vê-la sofrendo novamente e perdendo, aos poucos, o sorriso largo que enche a casa de apoio quando ela lá está.

Esta amiguinha e o meu companheirinho de cinema (q já se foi) sempre foram mais que meus pequenos, foram e são como filhos, e como mãe, a protegi. Mas, a magooei por isso, abalei a confiança, absurda, que ela tinha em mim.

Sei que uma hora ela irá me desculpar, porém talvez não confie mais em mim como antes. Eu não confiaria se estivesse no lugar dela, pq para mim lealidade é um princípio valiosíssimo.

Ser leal é mais importante que tentar proteger quem amamos? Estou chegando a conclusão que sim, em alguns casos. Neste, em especial, pq a doença dela pode retornar e ela precisará de mim ao teu lado, quero estar ao lado dela, mas se não confiar mais em mim não permitirá q segure suas mãos qdo for preciso.

A paraguaia sempre me ensina muitas coisas, esta foi mais uma.

Sds!

sábado, 16 de outubro de 2010

Amor de pai e irmão

Quando falei da perda do meu companheirinho de viagem, comentei q logo após ela, o seu amigo de quarto me pediu para ajudá-lo no seu processo de transplante. E assim eu fiz. Infelizmente, este menininho tb se foi. Felizmente, aprendi a lidar com a perda dos meus pequenos, elas doem demais, mas não ferem. Etapas de uma terapia bem feita.

Ontem quando estava ao lado de seus pais duas cenas me levaram ao choro: o irmão mais velho recebendo a notícia e a fala de um pai que acaba de perder um filho.

O irmão mais velho do meu garotinho desabou diante de todos. Um rapaz de 21, enorme de tamanho, mas menino de coração. Ele não suportou perder o irmão caçula e se culpada por não ter estado com ele na última semana. Há muito tempo não via tanto amor de irmão estampado assim... foi algo tão forte, q a mãe (q até então era consolada por todos) esqueceu sua dor e foi consolar o filho mais velho. Me retirei daquela sala pq não aguentei a dimensão daquela dor. Um amor de irmão do tamanho daquele hospital.

Quando saí o pai estava no corredor. Conversamos um pouco e o médico que cuidou de seu filho apareceu. Neste momento, o pai pediu desculpas ao médico pelos momentos em que seu filho com leucemia foi estúpido com o 'doutor'. Não me contive e desabei ali mesmo.

Este garotinho sofreu tanto qto os outros com a leucemia .. eram agulhas, dores, tubos e mais tubos desde fevereiro quando a doença foi descoberta e encarar este momento não é fácil para um rapaz de 15 anos. Engolir a dor não tem como! Nem com morfina, pq esta não surtia mais efeito naquele corpo frágil. E aí o q acontece? O pai pede desculpas pela 'falta de educação' do filho? Não foi falta de educação, foi desabafo de quem sofre, de quem sente dor. O pai sabe disso e o médico tb, mas msm assim ele se desculpou e sabe pq?! Nao queria q o médico acreditasse q seu filho era um rapaz estúpido .. queria preservar a memória do filho. Q amor de pai!

Por fim, a última surpresa.
Outro garotinho, de 14a, naquele msm dia e instante, saiu do hospital com a notícia de q seu câncer havia retornado após 1 ano e meio adormecido. Os olhos verdes daquele mocinho desceram o elevador perdidos em algum pensamento (ou vários). Ele me abraçou, choramos juntos e senti q ali começava mais uma missão pra mim ...

Como disse, não estou ali para acompanhar os pequenos até a vida, mas sim estar com eles até o fim. Não gostaria q fosse assim, mas assim é.

Sds!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Síndrome de Peter Pan

Quem não conhece a história de Peter Pan? E quem já não ouviu falar da sua síndrome?

Pois é, lá atrás a mulherada rasgou o sutiã e hoje temos que conviver cercada por homens com sinais, evidentes, da Síndrome de Peter Pan. Eles, simplesmente, não crescem, se negam a crescer, a olhar o mundo com mais maturidade.

Muitos preferem voar na Terra do Nunca acompanhados de uma graciosa Sininho (que nunca os deixa crescer). Alguns se arriscam a sair do Nunca acompanhados da Wendy, mas o medo de crescer e virar 'hominho' é maior que a vontade de ser livre e trilhar seu próprio caminho. E alguns ainda ficam no Nunca (com ou sem Sininho), mas acompanhados de amigos tão "Peters Pan" quanto eles, ou seja, não crescem nunca MESMO e passam a vida se divertindo na Terra do Nunca.

Ando pensando muito sobre isso ... a porcentagem de Peter Pan ao meu redor se multiplica geometricamente.

Entre tantos pensamentos uma conclusão é certa: são há Peter Pan é pq há Sininho. Há uma Sininho em cada mulher e se não cuidarmos ela se agiganta dentro de nós e seguramos o pequeno Peter lá na Terra do Nunca, achando que voar e ser menino é a coisa mais perfeita do mundo .. um mundo onde há alegrias sim, mas também há tristezas, perdas e ganhos.

Como alimentei o pequeno Peter existente em cada homem que passou, até agora, em minha vida! Pai, irmãos, namorados, amigos ... alimentei um a um, cultivei neles o desejo de que crescer dá trabalho e ser criança dá o mesmo resultado que ser adulto, mas sem tanto sacrifício.

Ao fazer isso dei um tremendo tiro no pé, pq como posso reclamar dos atuais 'homenzinhos mais ou menos' que esbarram comigo se eu já alimentei alguns que estão à solta por aí?!

O q fazer? Uma amiga mais velha me disse que toda mulher é sábia por natureza só precisamos usar isso com eficiência. Estou praticando. A primeira cobaia foi meu pai. Por bem, ele sentiu a puxada, mas não reclamou, disse que continuo delicada.

Já dizia Che Guevara: "Hay que endurecer-se pero sin perder la ternura jamas!"

Vamos ver como me saio.

Sds!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mais um pouco da mulher de 30

O txt do Mario Prata descreve, com maestria, a mulher de 30. Estou nesta fase. Muitas amigas estão. E sinceramente, Prata não mentiu muito.

Entretanto, ele poderia ter dito também que aos 30 quem não tem TPM, terá. A independência assusta uma sociedade (ainda) machista e disfarçada de moderna. O sonho da pessoa ideal ainda persiste, mesmo q o cara certo tenha barriguinha e seja levemente calvo. O choro no travesseiro está por perto, ele existe não como fraqueza, mas só é demonstrado a quem merece realmente, fora isso, fica no travesseiro. Nossa fortaleza é diretamente proporcional a nossa sensibilidade. O sexto sentido fica apurado de um tanto que chega a assustar. Perseguimos temas complexos, adoramos ser chamadas de inteligentes (a grande maioria é), mas também adoramos algumas futilidades, só que não as publicamos, claro. Temos paixão por carros, gostamos de motores, mas o espelho tem que funcionar quando precisamos retocar a maquiagem e o carro precisa ter a nossa personalidade, aliás, isso marca uma mulher de 30, ela quer que tudo tenha a sua 'cara', o seu jeito, a sua visão .. tarefa complicada, mas buscada no dia-a-dia e quando algo não dá certo é pq não tinha a nossa 'cara', simplesmente por isso. Não vamos à caça de um provedor para os nossos filhos, porém os homens são analisados se serão bons ou maus pais, o que não significa que serão escolhidos como pais de nossos filhos. Infelizmente, há escolhas erradas mesmo com tanto observação, mas para isso existe a segunda chance. Bem, os homens estão sempre sob análise, isso é fato. Ficamos mais exigentes. Na verdade mudamos os critérios. Beleza não põe a mesa, mas não comemos no chão. O que fica na mesa é o respeito por quem somos, a forma como comanda a sua própria vida e mais ainda o que pensa dela. Também fica na mesa a lealdade mais que a fidelidade, onde a cumplicidade e o companheirismo são a toalha. Não estamos dispostas a encarar gangorras emocionais, apaixonadas até tentamos (não custa tentar), contudo só vale uma tentativa, o resto, ele precisa fazer (se coçar, se nos quiser, obviamente). Temos medo de envelhecer. Se pensa muito na velhice quando se chega aos 30. No combate à barriguinha mencionada por Prata não nos matamos nas academias, nossas atividades são alternativas, queremos, quando possível, malhar corpo e mente, quando não dá, ficamos só com a mente. Destilados nos embriagam saborosamente. Estudamos, estudamos e estudamos, mas tem hora que a vontade de chutar o balde bate à porta e a crise chega e então gritamos: "pq vcs foram rasgar o sutiã?" . Sentimos saudade dos 20 e não queremos chegar aos 40. Precisamos pintar o cabelo, mas a agenda é tão cheia que a pintura está sempre em segundo plano, nesta idade, nos preocupamos sim é com a pele, os sinais dos 30. A vida começa a ter sentido, começamos a ter uma leve ideia do que viemos fazer no mundo, o duro acontece quando descobrimos e notamos que não há outra saída a não ser encarar .. e encaramos .. mulher de 30 não foge, ela respira fundo e segue ... mas pode demorar uns minutos a mais neste 'respirar fundo'.

Amigas que viajam sozinhas, respiram fundo, erram os caminhos, mas conseguem chegar, ao seu modo, ao fim proposto!






Sds!

O tal poder

Tenho convivido pela 3a vez com um processo de transição de chefia e é incrível como o comportamento humano não muda. Absolutamente não muda.

Quando se fala em poder a coisa muda de figura, as pessoas mudam de comportamento, melhor, as pessoas mudam. Certo e errado se mistura, eterno e descartável também, virtudes e defeitos então?!

Isso me assusta. Aterroriza em certas ocasiões.

Sei que todos têm seus motivos para percorrer o poder. Sei também que muitos têm boas intenções, mas sei mais ainda que elas, infelizmente, desaparecem ao ser colocada na cadeira do poder, em alguns casos.

Mas o que me assusta mesmo é a vaidade. Ela alimenta a busca pelo poder. Não é uma vaidade motivada pelo dinheiro, mas motivada pela vaidade simplesmente.

Esse filme discute bem isso - Advogado do Diabo:




Tudo é vaidade, li isso em um livro também. Sds!

O caderno

O caderno - Toquinho. Deveria ser um livro! Mas como canção dá seu recado!



Sds!

Livros livros livros

Como jornalista que sou gosto de ler; como curiosa gosto muito de ler; e como apaixonada por histórias gosto demais de ler, mas tenho feito isso pouco, pior ainda, tenho comprado diversos livros, começo a lê-los, mas não os finalizo. Andei refletindo o motivo: cansaço + preguiça.

Assim na tentativa de mandar esses dois itens embora voltei a ler. O engraçado é q voltei a ler relendo algumas obras. Me dedico, atualmente, aos livros de Lya Luft.

A delícia do livro está nisso. Ao reler Lya Luft sinto como se a estivesse lendo pela primeira vez. As sensações são diferentes, algumas amadureceram, outras permanecem estáticas, outras voltaram ao estado primitivo.

De qq forma, bons livros devem ser relidos, isso é certo. Mais certo ainda é que nem a preguiça, nem o cansaço deveriam nos afastar dos livros. Bons companheiros, bons conselheiros, bons parceiros para um fim de noite.

Sds!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

As mulheres de 30

Este texto nos reflete muito bem!

As mulheres de 30


O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!

A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo. A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.

A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.

São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.

Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.

Ponto. Pra elas.

Mário Prata

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sempre aprendendo ...

Diariamente tenho a benção de conviver com crianças e, certeza, que ao lado delas aprendo mais que em qq banco de escola.

Agora estou convivendo semanalmente com adoráveis pessoas da melhor idade. Como as aulas de inglês ganharam graça com elas. Não aprendo mais só conjugações do verbo 'to be', mas conjugações e variações da vida. E que vida essas pessoas têm!

O tempo para eles é algo precioso demais da conta, afinal, segundo eles, pouco tempo lhes resta. Por isso, optam por enxergar o copo metade cheio ao invés de metade vazio.

Nossa! tenho muito que aprender, felizmente, passaremos dois anos estudando juntos. Haja lição e tarefa de casa!!! Felizmente!

Sds!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Nada de brindes

Quanto mais vivo mais fico besta com umas coisas.

Hoje li um e-mail do meu ex-marido em que ele me ofendia só pq enviei um e-mail coletivo dizendo que o sofrimento q sofri, causado por ele, me fez uma mulher melhor. Algo q já disse a ele e não é nada novo, mas parece que ele se ofendeu. Isso pq o e-mail enviado por mim era para divulgar algo bom, imagine se fosse algo ruim?! Infelizmente, há pessoas que não mudam nunca, talvez não tenham sofrido o bastante, mas eu sofri o bastante para ser alguém melhor e agradeço a ele por isso. Ele deveria se orgulhar por tal feito, mas não, parece q lembrá-lo da dor que me causou o fere, ainda não sei pq, mas enfim, obrigada pela mulher q sou.

Falando de homens, recentemente, bem recentemente, um homem me disse q na próxima viagem à minha cidade me traria um brinde. Respondi - "ah sim, o pen drive que vc m prometeu, ok" e ele respondeu - "sim, o pen drive. Tenho outros brindes, mas vc só quer o pen drive, fazer o q ?"

Pois é, mocinho, só quero o pen drive sabe pq?! não sou mulher de brindes. O ex-marido citado acima me fez ter a certeza que mereço algo além de brindes e esmolas emocionais. Não me satisfaço nem com souvenirs, imagine com brindes. Vc é um belo exemplar da espécie masculina, mas já nem isso me atrai tanto. O q um homem pensa da vida e, acima de tudo, como leva a sua vida é o q me atrai ... prefiro flores roubadas no jardim a ramalhetes de rosas compradas na floricultura chique da cidade .. o tempo me mostrou q o esforço das flores roubadas valem bem mais q as rosas pagas.

Sds!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Outro encontro

Ando com sorte em conviver com o amor viu?!

O encontro com a família adotiva do Emanuel foi um pouco depois da minha visita à casa do meu anjinho.

Pois é, nem sei de onde tirei coragem, mas precisava visitá-los e lá fui eu acompanhada de uma amiguinha, já postada por aqui.

O que encontrei lá?! Dor sim, mas muito muito muito amor e uma saudade boa para ser sentida, uma saudade de quem muito amou e este amor valeu a pena.

Estar na casa do meu companheirinho, olhar seu quarto, suas coisas, sua vida foi mais uma lição que ele me proporcionou.

O amor presente naquele lar era diretamente proporcional a simplicidade que encontrei. Passaria dias ali, conversando, rindo, chorando, mas sendo completamente feliz.

Minha mãe, no retorno, definiu para mim o momento que passei: "filha foi algo tão perfeito que não há palavras para expressá-los não é". Sim, mãe, não há. Só sei que a senhora sempre me disse que o amor, o verdadeiro sabe, ele tem o poder ... sim! Ele tudo pode, tudo crê, tudo suporta, tudo cura.

Sds!

Onde nasce o amor?

Presenciei duas histórias que seguiam paralelas até que um dia ...

Primeira história: um pequeno com 8 meses e corpinho de recém-nascido seria rifado para adoção. Sua anemia falciforme, um leve distúrbio mental e um coração frágil transformaram este garotinho em um estorvo para o pai. Com o tempo e a pressão, a mãe não suportou e o menino foi mesmo 'dado' pela família. Se os pais estavam certos ou errados?! O tempo dirá. Não escrevo sobre uma história de julgamento, mas de resgate.

Segunda história: uma mulher madura, radialista, casada com dois filhos adolescentes, um marido presente e planos, muitos planos em mente. Entre esses planos estava ser voluntária na AACC. No primeiro dia, tudo bem .. mas no segundo ..

Uma única história: no segundo, ela se encontrou com esse menininho e foi o SENHOR encontro. Forte o suficiente para adotá-lo.

Acompanhei a história ora de perto, ora calada. Visitava o pequeno com regularidade e quando soube que sua vida estava em xeque pensei em adotá-lo, fui até incentivada por alguns, MAS senti que ele não era meu, não era o meu momento de ser mãe, mas de outra pessoa. Por bem, ando obedecendo meu instinto.

E o momento chegou e uma nova família foi reconstruída. Após a doação, encontrei pai, mãe e filho no elevador. Fiquei quietinha no canto observando o amor que um tinha pelo outro. Foi emocionante!

Porém, mal sabia eu que mais emocionante ainda seria o nosso segundo encontro e ele aconteceu!

O amor não curou as enfermidades do nosso pequenino, agora com um ano (e ainda corpinho de recém-nascido), mas curou seu coração. Ele sorri de uma forma que nunca o vi em outras épocas. Olha para sua mãe com uma admiração absurda e tem uma devoção comovente pelo pai. Tive a honra de poder estar perto desta família e eles transbordavam amor. O amor nasceu no coração deles e isso transformou a vida de cada um ali.

Voltei para a casa, naquele dia, com o coração em júbilo. É magnífico sentir o amor tão perto de nós.

Mas, sabe, a mãe me contou que convive com tanto preconceito, tantas pessoas dizendo que eles jamais deveriam ter adotado uma criança doente, pessoas até da família e ela não entendia o pq, contudo, procurava compreendê-los, afinal um dia ela já pensou assim, como qualquer um de nós pensaria (verdade absoluta!), até que seu caminho cruzou com o do pequeno Emanuel.

Quem dera em nosso caminho alguns 'emanuéis' aparecessem para nos mudar o rumo e trazer vida nova. O pior é que eles aparecem, mas nem sempre damos conta disso!

Sds!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Estatística

Mais uma jovem de 15 anos engravidou.

Desta vez a menina está próxima, trabalha ao lado.

A notícia me assustou. Como ainda há meninas que não sabem usar corretamente um contraceptivo e engravidam sem pensar?

Olho para ela e vejo uma menina, perdida com a gravidez, sem entender exatamente o que lhe está acontecendo, meio apavorada no fundo e ao mesmo tempo com uma vontade enorme de ser mulher.

Culpa dela? Falta de juízo? Isso é o de menos agora. Olhar para frente é o que se deve fazer e tentar acertar, mas como ela fará isso se veio de uma família desestruturada que não lhe dará o suporte necessário?! É preocupante.

Sds!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um mês

Há um mês o meu companheirinho de cinema se foi.

A dor vira saudade, mas ainda dói. Muito!

Sei que está em um lugar zilhões de vezes melhor, mas mesmo assim, sou egoísta, e digo, dói ... você era uma benção por aqui e seu espírito delicado nos faz falta. Tenho pensado que não sou a única egoísta te querendo por cá, Deus também é sabia?! Quer todo mundo que é bom ao lado Dele, isso é sacanagem ...

Amigo para filosofar

Já comentei por aqui sobre minha paixão por meus amigos. Como sou completamente apaixonada por eles! Tenho um amigo para cada situação e tem um que me acompanha em meus devaneios filosóficos.

O motivo deste post é agradecer a este amigo. Ser amiga dele é difícil, pq ele é extremamente seletivo e com razão, pq se há um jornalista inteligente e sensível ao mesmo tempo é este menino. E tímido também. Antissocial diria! Mas ele pode se dar ao direito de ser antissocial, por tudo que ele é e ainda será.

Filosofar ao seu lado foi e sempre será uma delícia e sinto saudades disso!

Sinto falta da sua cara de espantado diante das asneiras que eu falava, vez e sempre; saudades do meu nome em diminutivo saindo da sua voz; saudades dos conselhos que (tentávamos) dar à nossa menina; saudades do seu pessimismo em choque com o meu otimismo; saudades do nosso trio ... quarteto ... o ar daquela sala faz falta.

Não sei se já lhe agradeci por sua amizade. Creio que não, pq me lembro que não conseguimos nos despedir direito, afinal meio que fugimos né?! Obrigada sr. Quando sinto saudades daquela época vejo a galáxia.

Sds!

Meus e seus motivos

Ultimamente tenho ouvido algumas pessoas (ou várias pessoas) dizerem que deixaram de fazer isso ou aquilo pq tinham seus motivos. Inclusive eu era uma dessas pessoas. Todos temos nossos motivos para deixarmos de fazer determinada coisa diante de certa situação. Todos!

Mas sabe, também ultimamente, descobri q há momentos na vida (muitos por sinal!) onde os nossos motivos são nada diante dos motivos do outro. Quando me dei conta disso, quando precisei passar pelos meus motivos para chegar ao outro vi que na vida, na grande maioria das vezes, nós não fazemos o que gostaríamos ou sonhávamos, mas o que é necessário naquele determinado instante e isso é um grande teste para a nossa capacidade de adaptação à realidade, pq de fato, a realidade nunca é como desejávamos ... e sabe que não ser igual não é tão ruim?! não é o que gostaríamos, mas é o que precisávamos, isso é certo.

E aí, diante disso, enxergamos que os nossos motivos, também muitas vezes, são reflexos do nosso egoísmo, de feridas não curadas, não são tão grandes assim ou simplesmente são frescura.

Sds!

Os três mal-amados

Um amigo queridíssimo sempre me falou deste texto. Agora o reproduzo aqui:

Os Três Mal-Amados, de João Cabral de Melo Neto.
“O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto, mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.”

Amigo, é muito bom saber q vc me lê vez em qdo. Vc fez parte de um período riquíssimo em minha vida e nem imagina o qto foram válidas as manhãs lhe acompanhando com um café e um cigarro na porta da sala.

Sds!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Carências

Tem horas que paro e observo algumas relações e quando faço isso percebo o quanto estamos carentes e por isso nos submetemos a relacionamentos dolorosos para não encarar o estar sozinho ou msm a própria solidão.

Há carência de bons amigos, bons parceiros, bons irmãos, bons abraços e boas risadas e tem horas que pensamos que (talvez) valha a pena enfrentar uma relação mais ou menos em troca de um pé quente em certos momentos.

Se é certo ou errado?! Cada um sabe onde aperta. Mas uma coisa é certa: pra lá ou pra cá saber discernir é sempre o melhor caminho. E mais: ser honesto consigo msm.

Sds!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Filosofando...

Esta letra é tudo ... boa filosofia para um final de semana!

Sê inteiro em cada parte, em cada fragmento
Da vida que hoje está ao teu redor
Breve, leve, certo se despede este instante
Pra nunca mais pousar em tuas mãos

Tempo foge, escorrendo nos dias que vão
Vai seguindo os trilhos da luz
Não permitas que a vida termine sem que
Extraias dela todo sabor

Deixa que a aventura de ser gente te envolva
Prepara o que serás no que és
Não prenda os teus olhos nos olhares que te acusam
Esquece a voz de quem te condenou

Nunca te aprisiones nos teus medos e receios
Nem sê refém de quem não sabe amar
Não, não te condenes a morrer com teus defeitos
Nem use a expressão não vou mudar

Pois a cada instante é possível crescer
Retirando excessos do ser
Aprimora o teu jeito de ver e de ouvir
E do amor tão perto estarás

Salto maior que a perna

Ontem voltei minhas visitas ao hospital. O intervalo de retorno foi pouco, eu sei, mas a volta era necessária.

Foi inevitável não entristecer. As paredes daquele 8o andar estão repletas do sorriso do meu anjinho. Em quase dois anos ali posso afirmar, sem dúvidas, que ontem foi a minha pior noite lá. Tive que respirar fundo diversas vezes e a vontade de não voltar mais àquele andar, confesso, me bateu em alguns momentos.

A volta era necessária pq após este tempo na AACC descobri que minha missão não é estar ao lado das crianças e adolescentes animando-os na volta à vida, mas sim acompanhá-los até o fim.

Parece triste não?! Mas quando se está ao lado de alguém durante o seu caminho de volta o aprendizado daqueles instantes são enriquecedores e imensuráveis. É lição para uma vida inteira. Como já acompanhei alguns, tenho várias lições para outras vidas.

Claro que acompanhei vitórias. Mas sei que minha missão está nas perdas. Ali sei que o melhor de mim vem à tona e, consequentemente, meus limites e defeitos também, principalmente, no meu caso, um ser humano confesso e admitido em não saber lidar com perdas. Sim, não sei lidar com perdas! Definitivas ou não, não sei! Talvez por isso o universo tenha me levado prali. Bem, o universo não, escolhi o 8o andar, poderia ter optado pela Casa de Apoio, mas senti que estava na hora de um passo maior e lá fui eu, com 1,64m querer pular 2 metros ... missão difícil.

Uma missão que me ensinou, em cada partida, o quanto somos nada, somos pó e como damos valor e brigamos por coisas tolas ... a gente não sabe viver e só dá conta disso quando estamos perto da morte. Isso é burrice qdo temos em mãos um arsenal de argumentos para agir e pensar diferente. Precisamos mesmo olhar a morte de perto para entender e melhor saborear a vida?! Parece que sim.

Por isso estou suando a camisa para pular os 2 metros ... o problema é que quando conseguimos pular 2 metros, na próxima serão 2,10 ... 2,20 ... 2,30 ... e maior problema ainda que não conseguimos deixar de tentar, pq a visão do outro lado é tão magnífica e a experiência tão inebriante que vale o esforço e as dores do meio do caminho.

Sds!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Bonzinho

Estou em busca da resposta para a seguinte pergunta: "Pq bonzinho só se fode?"

Fui criada em um lar cristão, com meus pais repetindo a cada instante que precisamos praticar a caridade. Agora, sinceramente, pelo menos no ambiente de trabalho praticar a caridade é algo que o leva a ser tolo tem horas. O problema é achar o equilíbrio. Até onde devo ser caridosa e justa? Se alguém souber a resposta, estou pronta para ouvir.

Sds!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A partida

Saí mais uma vez de casa.

A primeira foi a trabalho.

A segunda para me casar.

E a terceira para o meu canto.

Engraçado como não estou absurdamente feliz, empolgada, vibrante. Mas também não estou triste e infeliz. Simplesmente estou em paz. Em paz!

Essa terceira ruptura doeu .. como todas as outras, claro. Mas era necessária. Cortar alguns laços desnecessários e fortalecer os fios importantes é assim que está sendo.

Talvez por isso esteja em paz.

Talvez pq saiba que agora a melhor companhia que eu possa ter sou eu mesma. E até que sei lidar comigo msm.

Talvez pq saiba que ter meu canto é saber que há um refúgio para onde sempre posso correr.

Talvez pq saiba que minha casa deva ser meu santuário e por ser santuário estou em paz.

Sds!

Os esbarrões

Tem dias que a cara-de-pau de alguns me impressiona.

Que os homens gostam de paquerar e paqueram. Ok?! Que as mulheres idem. Ok?! Mas, como tudo na vida, há um mas.

Esbarrei pelos caminhos da vida com um colega de trabalho acompanhado de sua esposa e eu de meus pais. O ser em questão fez questão de esbarrar comigo várias vezes seguidas durante uma hora de supermercado. E a esposa?! Nunca li tanto rótulo de produto por tamanha vergonha ... por ela e por mim. É uma cara-de-pau que nem peroba aliviria.

Fico matutando: e se fosse com ele, como agiria? Como não trocamos de lugar com as pessoas antes de fazer qq asneira.

Sds!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Frase do dia

"Quando perco o sentido da vida, sempre o reencontro nas pessoas!"

Perdi e me reencontrei? Em busca de respostas ...

Sds!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Modernidade

Esta gurizada está mesmo antenada demais!

Hoje ensinei uma menina de 8 anos a fazer um blog. Fiquei besta!

A menina sabia tudo como funcionava, até dicas de senha.

Ser jovem é bom por isso ... não temos tantas barreiras para aprender. Aprender é sempre algo prazeroso, quando se é jovem. Pq perdemos isso qdo crescemos?

Sds!

Perdas!


Tive perdas feias no último mês, mas nenhuma doeu mais que do meu menino. Falei tanto dele por aqui, o meu companheirinho de cinema, pois é, ele se foi.

Sim, estou triste, muito. Meu coração dói sem igual. Mas a tristeza não é maior do que a benção de ter podido conviver com ele, seja bem, saudável, apesar de doente ou em sua última semana no CTI. Até na hora de ir ele foi digno e me ensinou demais.

Este menino de 13 anos foi um anjo em minha vida. Ele resgatou em mim muitas coisas, que nem ele sabe, creio. Mas a maior delas foi a disposição para amar ... mesmo que fosse um amor para ser perder ... ele amava ... dizia que a vida era curta demais e não sabíamos muito do nosso tempo por aqui ... coisa que adulto sabe muito bem e não faz ne?! Como somos covardes! Ele não! Quando viu que a dor da leucemia seria enorme, ele resolveu voltar para o céu. Decidiu partir, avisou sua mãe que estava cansado e que queria dormir profundamente. Assim ele fez.

Após sua partida, decidi tirar uma folga deste contato direto com minhas crianças. Estava certa em tirar uma semana, duas ... Mas, nesta segunda, outro menino, amigo do meu anjinho, meu ligou avisando que sua doença progrediu e que agora passará por um doloroso processo para chegar apto para o transplante. O meu companheirinho não aguentou este processo. O amigo está com medo de não aguentar também, penso - "Meu anjo, vc se foi mas continua aprontando comigo ne?!". Sei que teremos outra batalha adiante.

Pois é .. não viemos ao mundo a passeio e quando nos damos conta disso aí é que o bicho pega, não dá para recuar por maior que seja a dor ... a gente descobre que dor a gente cura na luta do dia-a-dia.

Sds!

Ps.: Na foto, nosso anjinho ao lado de uma amiga. Quem o puxava pelo pescoço com a faixa?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Indisciplina

Há tempos não escrevo.

Muito por falta de tempo, mas ultimamente por indisciplina.
Escrever é uma arte sim, mas requer disciplina.
Ser filha de militar me fez muito disciplinada, sou uma espécie de milico anarquista. Mas tenho me esquecido disso nos últimos dias. Indisciplina mesmo! Tentarei consertar isso, para tudo dá-se um jeito, só não para morte ne!?

sexta-feira, 5 de março de 2010

A assinatura

Hoje minha mãe completa 52 anos. É impressionante a vitalidade dela, muitas vezes, cerceada pelos cuidados excessivos do meu pai (um militar aposentado), mas msm assim, ela impressiona pela energia. Costuma dizer que se sente com 35 anos. Pior, tenho 31 e tenho menos gás que ela, há algo errado nisso (em mim, obviamente rsrs).

Desde que passei a ter um pouco de noção das coisas, me lembro de ver meu pai assinando os cartões de aniversário dela, que sempre chegavam acompanhados de flores e a cada ano ele a surpreendia com flores ainda mais belas (o gordinho milico é romântico acreditem!).

Esses dias peguei para ler os cartões que ela já recebeu .... emocionante. Como a vida passa ... é incrível.

Meu pai assinava primeiro - "seu amado"

Com o tempo - "seu esposo e filha"

Mais um tempo - "seu esposo e filhos"

Hoje - "seu esposo, filhos e neto"

A vida ... e a vida o que é diga lá meu irmão? É um mistério profundo.

Os anos passaram, os nomes assinados também e eles ainda continuam apaixonados, ainda se olham como dois adolescentes. Quem dera alguns casais fossem como vcs, a começar dentro de casa.

Sds!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Há alguma coisa estranha...

... no ar.

Pensei para este ano viajar para Machu Picchu, um sonho de menina, combinei com uma amiga e lá íamos nós, POREM tempestades nos fizeram cancelar a viagem para abril.

Depois, pensamos em rodar o Chile, deserto do Atacama e cia ltda, MAS terremotos nos fizeram cancelar a viagem.

Dias atrás, levantei 2 roteiros - Cancún e México, com civilização Maia e Asteca e caribe cubano. Não era o meu sonho de consumo, mas como pretendo comprar um teto para morar, melhor ser sensata e viajar para mais perto ... dei um toque nesta amiga e ela animou-se com Cuba. Afinal, conhecer a ilha de Fidel é meio surreal, ENTRETANTO ondas gigantes nos fizeram cancelar a viagem.

Creio que o Céu esteja querendo nos dizer alguma coisa. São sinais. Creio neles, nos sinais q Ele nos envia meio que disfarçadamente. Vou dormir pensando nisso.

Deste jeito, vou acabar passando as férias no quintal de casa, tomando sol à beira da piscininha de plástico, tomando água de coco e lá vamos nós rs

Sds!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Quadrado

Estou necessitando viajar.

Sim viajar, para mim, é uma necessidade.

Não viajar a trabalho, como faço vez em quando. Mas viajar pelo prazer de descobrir novos lugares, sabores, cores, cheiros e pessoas. Viajar para tirar de mim o olhar quadrado que estou tendo ultimamente do mundo e voltar a olhá-lo sob as diversas óticas e contornos com os quais estou habituada. Noto que quanto mais demoro para fazer isso, mais insuportável estou ... minha alma peregrina e exploradora está sedenta da saudade que se sente de casa quando se está longe.

Esses dias conversei sobre isso com um amigo e ele me apresentou esta velha frase de Amyr Klink que agora parece um mantra em minha mente:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Quando o medo da arrogância chega para nos assombrar, antes msm que a própria bata à nossa porta, já é hora de pegar a estrada.

Sds!

Pena ou Compaixão?

Uma amiguinha doente me disse há uns 2 meses que o pior sentimento que ela vê nos outros é a pena. "A gente se sente um lixo quando alguém nos olha com dó". Foram essas palavras que ela usou. "Por isso não tenho vontade de sair, me olham como um ET", continuou.

Até agora me pergunto se a olho com dó ou compaixão. Sei que em alguns momentos não tem como fugir da pena, é impulsivo em certas ocasiões. Mas, de fato, não há sentimento tão disfarçadamente arrogante quanto a pena não?! Pq ao sentir dó do outro estou, de certa forma, subtraindo dele a oportunidade de se recompor, estou tirando dele a força natural (e sobrenatural) que todo ser humano tem para viver. "Cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz"... diz o poeta. Ao sentir pena, de uma maneira ou de outra, reduzo este dom carregado por cada um de nós, a proporções tão medíocres quanto a pena.

Mas e a compaixão? Como ela fica? Onde? O que é? Um velhinho querido, certa vez, me definiu compaixão como a capacidade de sofrer com o outro. É olhar para o sofrimento do outro, ajoelhar-se com ele, sofrer junto e junto levantar ...

Para isso, ele m receitou, a prática constante da compaixão, pq uma hora ela estará impregnada em mim que não saberei mais o que é pena. Uma hora 'seus joelhos estarão calejados de ajoelhar e você não sentirá mais dor e nem as cicatrizes a incomodarão". Bem.. estou precisando praticar mais então, algumas cicatrizes já se foram.

Sds!

Arrumar a casa!

Preciso voltar a escrever ... meus dedos coçam, mas minha ausência deve-se à preguiça. Sim preguiça! Apesar da paixão pela escrita e pelos pensamentos, ando cansada de juntar essas duas palavrinhas.

Neste meio tpo tantas coisas aconteceram...

Esses dias estava lendo mais umas coisas sobre a tragédia do Haiti. A sobrevivência e a luta daquele povo. Observo as açoes humanitárias e sei, meio de perto, como as nossas tropas brasileiras trabalham por lá (afinal tive irmão e ex-marido servindo no Haiti).

Dispensa qq comentário a prestação de ajuda àquele país. É vísivel o qto eles precisam de apoio, seja da natureza q for. Mas é bom vez em qdo olhar para as nossas tragédias, as mazelas tupiniquins... temos SP afundando, São Luis do Paraitinga, Cunha, Ilha Grande e por aí vai ... há muita coisa a ser feita por aqui, muita casa para arrumar.

Sds!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Ciúme, controle e obsessão

Esses dias tive um papo interessante com minha prima. A menina que eu peguei no colo e ainda troquei fraldas me apresentou as principais diferenças e características entre ser ciumento, ser controlador e ser obsessivo.

Convivemos com pessoas ciumentos.

Suportamos os controladores.

E corremos dos obsessivos.

Quase sempre é assim.

Agora umas perguntinhas me fazem matutar:

Dá para sair do ciúme, passar para o controle e chegar na obsessão?

Todo controlador é ciumento ou não necessariamente?

O obsessivo foi ciumento primeiramente?

O ciumento é o mais normal de todos?

Nossa! Por aí vai...

Gosto daquele ciúme que apimenta.. de leve.. bem de leve.. passou disso, pra mim, vira chatice, grude, desrespeito, controle... e o resto já conhecemos.

Como estabelecer os limites?

Sds!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Milagres acontecem...

... quando a gente menos espera!!!

Estar vivo é antes de tudo um milagre dos Céus. Tenho a cada dia mais certeza disso.

Vi dois milagres hoje.

Primeiro uma amiga querida que estava em Ilha Grande foi iluminada pelos Céus e não fez reserva no hotel que desabou no balneário. Nos falamos hoje e como foi bom ouvir a voz dela ao telefone, animada como sempre e entusiasmada com o ano novo.

Segundo, uma das minhas luzinhas teve a ótima notícia de ter encontrado um doador compatível de medula óssea. Há uns 2 meses esta menina e sua mãe ouviram do médico a triste notícia que a pequena tinha somente 25% de chances de vida.. 25%. A mãe, espirituosa, respondeu ao médico que para os Céus 25% é 100%. Ela acertou!

Hoje mãe e filha me ligaram para contar que encontraram um doador compatível e que brevemente o transplante será realizado. Claro que há riscos, mas o que importa mesmo é que a esperança se acendeu... a luz está brilhando e mãe e filha poderão dormir tranquilas acalentadas pela esperança.

"Milagres acontecem quando a gente reza e reza sem desanimar
E a paz é dos milagres, o milagre mais bonito que se possa desejar
Milhares de pessoas encontram a resposta no momento de oração
Milagres acontecem quando pomos de joelho o coração"

Hoje comprovei cada trecho da canção.

Agora brindo aos milagres que vi. Brindo os vários momentos que temos em nossas vidas de recomeçar, os pequenos milagres diários que vivenciamos e nem damos conta disso.

Sds!!!

domingo, 3 de janeiro de 2010

O retorno!

Fiquei um bom tempo fora, por pura falta de tempo e contratempos. Entre as promessas para 2010, quero e preciso me reorganizar.

Falando em 2010...

Sempre tive comigo que a mudança de um ano para o outro era algo extraordinário, como se você dormisse e acordasse e tudo estivesse novinho, pronto para ser recomeçado. Este ano meus conceitos mudaram.

Passei um ano novo em companhia de amigos. Foi diferente e mágico. Os pais de minha amiga eram idosos e como eu gosto de estar em companhia de idosos, é um aprendizado constante. O senhorzinho abriu a campanhe com tanta alegria, que parecia ser a última champanhe de sua vida, tamanha dedicação e entusiasmo.

Observei aquele casal, meus amigos e de fato não há nada de ultra extraordinário na virada do ano, absolutamente nada. Muitas pessoas trabalham na virada, não têm tempo de dar sequer um abraço em seus parentes .. ou seja.. é um dia como qualquer outro em um novo ano.

O que há de extraordinário é estar perto de pessoas queridas, é abraçar quem se gosta, é observar as demonstrações de carinho, isso é válido, MAS para se demonstrar afeto não precisamos ter uma virada do ano. E também não precisamos da virada do ano para começar um regime, comprar um apto, se casar, parar de fumar ou qq outra promessa de ano novo.

Feliz 2010!!! Sem promessas, somente com desejos e atitudes!

Sds!